segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Livro, Parte 1, Capítulo XIX, Os sintomas

Olá,

Segue o capítulo XIX do livro Sou portadora da Síndrome de Stevens Johnson e quero ser mamãe. E agora?

Boa leitura!!!

Beijos e queijos...
______________________________________________________________________________

XIX

Os sintomas

A cada segundo que passava, meu quadro clínico se agravava. Via pouco e não podia falar ou engolir a saliva.
            Para piorar ainda mais a situação, estava com infecção no aparelho urinário; broncopneumonia; erupções eritematosas (bolhas) generalizadas; hiperemia conjuntival[1], abundância de sangue na região ocular, o que me tornava temporariamente cega; e erosão nas mucosas oral e genital, o que me impedia de comer ou urinar.
            O diagnóstico da situação de entrada no setor de dermatologia foi o seguinte:[2]

1.   Síndrome de Stevens Johnson;
2.   Infecção no trato (aparelho) urinário;
3.   Broncopneumonia.

Situação na Entrada
“Paciente no PO (pós-operatório) tardio de recessão de um tumor cerebelar tendo evoluído após uso de...” um medicamento cujo princípio ativo é a fenitoína, “...com erupção eritematosa generalizada e acometimento das mucosas ocular, oral e genital. Ao exame dermatológico, lesões purpúricas nas extremidades dos troncos, hiperimia conjuntival e erosão nas mucosas bucal e genital”.

Eu estava entregue à sorte, ao destino. Nem mesmo os médicos acreditavam numa possível e total cura. Eles não tinham esperança, parecia que a situação havia fugido do controle. Quando me visitavam no quarto eu sentia que era apenas para cumprir um ritual, não podiam fazer mais nada e eles deixavam isso claro durante as conversas, imaginando, talvez, que eu estivesse em coma.
- A priori, qual o diagnóstico dela doutor? – perguntou um deles.
- Alergia à Fenitoína, um dos componentes do medicamento prescrito, mas existem remédios comuns que causam esse tipo de alergia.
- E agora doutor, o que vamos fazer?
- Esperar. Esperar que a medicação faça efeito ou por algum milagre, pois o estado dela é grave.
Diante daquele diálogo enlouquecedor, meus pensamentos corriam na velocidade da luz.
Não podia falar, mas a minha mente funcionava. Não podia ver, mas ouvia atentamente a conversa deles.
Eu insistia em compreender os termos técnicos utilizados pelos médicos, tentando não ficar inerte à situação. Estava curiosa, sim, não queria ser uma paciente que tudo aceitava, sem contestar. Mas o que eu poderia fazer diante daquela situação? Estava nas mãos dos médicos, e eles, por sua vez, diziam:
- Vamos esperar três dias.
- A palavra de ordem era esperar – pensava comigo –, mas esperar o quê? Estava cada vez pior.


[1]Hiperemia conjuntival – edemia e inflamação conjuntival – nota do Dr. Nivaldo Aleixo de Barros.
[2]Documento a que tive acesso tempos depois, pois precisava incluir tais informações no meu primeiro livro Das Cinzas ao Renascimento: um caso de Síndrome de Stevens Johnson – no qual relato, em forma de diário, tudo o que ocorreu até eu descobrir ser portadora dessa doença.

___________________________________________________________________________________________________

AMANHÃ TEM MAIS!!!!

0 comentários:

Postar um comentário

 

Blogs e Sites

Seguidores

Conheça meu Livro

WiaWebWebmasters