sábado, 18 de fevereiro de 2012

Livro, Parte 1, Capítulo XVII, O abismo

Olá,

Segue o capítulo XVII do livro Sou portadora da Síndrome de Stevens Johnson e quero ser mamãe. E agora?

Boa leitura!!!

Beijos e queijos...


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XVII


O abismo

A cirurgia demorou cerca de sete horas. Levei, aproximadamente, uns sessenta pontos. Um corte que vai da nuca até o topo da cabeça.
 Estava me recuperando bem e quatro dias depois, recebi alta.
 O médico prescreveu a medicação e todos os cuidados que eu deveria ter em casa.
(Os dias pareciam mais longos, e as noites, intermináveis. Eu não pensava no amanhã. Achava que não iria conseguir transpor as barreiras, então eu vivia um dia após o outro e sempre preparada para não ver a luz no dia seguinte; entretanto, ansiava por vida. Acompanhada por aquelas sensações, vinha um temor apavorante de ficar daquele jeito para sempre. Minha autoestima estava tão baixa que eu tinha vergonha de encarar as pessoas, parecia que alguém me culpava por aquela situação. E a tristeza me consumia dia após dia e lentamente).
Apesar disso, tudo estava correndo bem, até que, duas semanas pós-cirurgia, o líquido cefalorraquidiano ou líquor[1] começou a vazar. A substância vinha da cabeça, especialmente do local onde havia sido feita a cirurgia. A quantidade foi suficiente para encharcar todo o travesseiro.
Ao mostrar para a Maria das Graças, minha cunhada, ela imediatamente ligou para o hospital e entrou em contato com o neurocirurgião.
Gracinha, como a chamamos, relatou o ocorrido para o médico e num determinado ponto do diálogo, ouvi-a dizer que o líquido era de cor clara.
            Ao desligar o telefone, a questionei sobre a importância daquela informação e ela respondeu, com as palavras do médico, dizendo que, se o líquido fosse de cor escura, o diagnóstico seria de uma meningite.
            O médico ainda disse que, se o quadro se agravasse, eu teria de ser levada ao hospital.
            E de fato se agravou.
            Chegando ao hospital, o neuro estava à minha espera. Fui levada imediatamente à enfermaria.
            Para reter o vazamento, o médico deu dois pontos crus[2] na cabeça, precisamente no lado direito, e, logo em seguida, fui orientada a voltar para casa e repousar.




























[1]Líquor ou líquido cefalorraquidiano é o responsável pela lubrificação do cérebro e medula, isto é, “banha a superfície pial da medula e do encéfalo, penetrando profundamente no tecido do sistema nervoso, ao longo dos vasos sanguíneos”. DRAPER, Ivan T. Conceitos básicos em neurologia. 4ª ed. Trad. Dr. Benjamim Maierovitch. São Paulo: Andrei, 1979. p. 56.
[2]Na “gíria” médica, a expressão dois pontos crus significa pontos sem anestesia. 


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NÃO PERCA O CAPÍTULO DE AMANHÃ!!!

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