sexta-feira, 2 de março de 2012

Livro, Parte 2, Capítulo I, Alguns meses antes da gravidez

Olá,

Segue o capítulo I da parte 2 do livro Sou portadora da Síndrome de Stevens Johnson e quero ser mamãe. E agora?

Boa leitura!!

Beijos e queijos...
___________________________________________________________________________________

PARTE 2
                                      I

Alguns meses antes da gravidez

Antes de ficar grávida, meu desejo de ser mãe já havia se manifestado. Sentia-me muito sozinha em casa, precisava de uma companhia para almoçar, conversar, brincar, rir, passear, enfim, me divertir. O Maurício também concordava, pois ele passava e passa o dia inteiro fora de casa, trabalhando, às vezes também nos finais de semana.
Apesar desse desejo intenso, as dúvidas pairavam sobre a minha cabeça. Seria possível? O meu filho teria como herança a maldita Stevens Johnson? E se eu viesse a precisar de alguma medicação durante a gravidez, qual tomar, afinal, quando recebi alta do hospital, o médico alertou-me: “Cleivânia, por via das dúvidas, para qualquer dor, tome somente paracetamol, só não em caso de suspeita de dengue.” E aí? E para ter o bebê, qual o tipo de anestesia? O bebê seria perfeito ou teria alguma anormalidade em consequência da reação em cadeia?
Na época em que a Stevens Johnson havia se manifestado, tive crises de espirros; dor na garganta; febre alta; minha cabeça dobrou de tamanho; bolhas de sangue espalhadas pela parte externa do corpo e nas mucosas ocular (que ocasionaram a cegueira temporária), bucal (que me impediam de comer e beber) e genital (com infecção no aparelho urinário, quadro que se prolongou por um bom tempo).
Devido às manifestações da síndrome, ainda internada, fui exposta a diversos medicamentos, dentre eles os corticoides e a morfina, cujos efeitos colaterais iam de náuseas, enjoos, falta de apetite a tonturas, dores de cabeça.
Por causa da vulnerabilidade do organismo, até um simples resfriado era motivo de preocupação.
Após uma longa conversa com o Maurício, o primeiro passo foi procurar a Dra. Adriana Motosugue, ginecologista e obstetra.
Relatei à médica toda a minha trajetória antes, durante e depois da manifestação da Síndrome, inclusive a convivência com as sequelas deixadas pela Stevens Johnson.
Dra. Adriana também soube do meu medo apavorante de uma nova reação e que, se acontecesse algo, não iria suportar.
A conversa com a médica foi longa. Ela quis saber de tudo e precisava de um relatório completo.
Precavida, levei comigo todos os resultados dos exames realizados no Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo durante o processo de recuperação no hospital e em casa – exames de oftalmologia, dermatologia, gastroenterologia, cardiologia, proctologia e ginecologia. Era a forma que eu tinha de demonstrar, clinicamente, o que a Stevens Johnson havia feito.
À medida que eu ia narrando o que ocorreu, a médica fazia as anotações.
Confessei à Dra. Adriana que a minha maior preocupação era com a anestesia.
Cautelosa, pediu para que marcasse uma consulta de retorno, enquanto coletava as informações sobre a Síndrome de Stevens Johnson. Realizou o Papanicolau e solicitou outros exames com urgência, para a consulta seguinte.
De posse dos resultados e com o dia da consulta já confirmado, retornei à ginecologista.
Após ler a documentação entregue por mim e com as informações levadas consigo, Dra. Adriana deu seu parecer médico e segura de si, afirmou categoricamente que era possível sim realizar meu desejo de ser mãe, pois teria todas as condições para isso. Quanto à anestesia para a realização da cesárea, não havia contraindicação.
De imediato, prescreveu ácido fólico. Tomei a vitamina três meses antes da gravidez e três meses depois.


0 comentários:

Postar um comentário

 

Blogs e Sites

Seguidores

Conheça meu Livro

WiaWebWebmasters