domingo, 4 de março de 2012

Livro, Parte 2, Capítulo III, A gestação

Olá,

Segue o capítulo III da parte 2 do livro Sou portadora da Síndrome de Stevens Johnson e quero ser mamãe. E agora?

Boa leitura!!

Beijos e queijos...
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III

A gestação

A alimentação

Procurava não pensar no pior. Estava ciente que a partir daquele momento, não poderia voltar atrás.
Aos poucos, fui enjoando do cheiro dos alimentos e não conseguia nem chegar perto do fogão. O café era o vilão, com seu aroma inconfundível.
Depois, a vontade de comer somente lanches: um de manhã e outro à noite. No almoço, macarrão com molho de tomate e pimenta. Como consequência, engordei dois quilos no primeiro mês e dois no segundo, indo para sessenta. Levei uma bronca, afinal, estava deixando de lado a alimentação saudável em troca de maus hábitos alimentares.
Confesso que excedi, mas no terceiro mês me policiei e voltei a aderir a uma dieta saudável.
Pouco tempo depois, enjoei da minha comida, e passei a almoçar diariamente num restaurante a quilo, assim poderia variar.
Não demorou muito e quinze dias após, estava com ânsia. Tive que mudar de restaurante, não suportava mais o cheiro daquele. Então, sempre pensando na variedade, comecei a almoçar num self-service japonês, em Santo André, onde moro. E assim, passei a gravidez inteira saboreando os pratos típicos.

A saúde do corpo

A cabeça

No primeiro mês de gravidez, sentia muitas dores de cabeça, especialmente na região em que fui submetida à cirurgia para a retirada do tumor – o cerebelo.
As dores de cabeça eram tão intensas que me obrigavam a dedicar muitas horas do dia à cama.
Acompanhada dos incômodos, a retrospectiva dos piores momentos de minha vida – a via crucis até descobrir o tumor, a cirurgia e duas semanas após, a manifestação da Síndrome de Stevens Johnson.
É claro que a Dra. Adriana ficava de mãos atadas, afinal, a paciente dela era irredutível, preferia a dor ao invés de tomar um medicamento, a não ser o bendito paracetamol.
A médica, então, fez uma guia de encaminhamento para um neuro. Cheguei a procurar o especialista e ele solicitou uma ressonância magnética da cabeça. Desisti de fazer o exame, preferi a dúvida.
Como de costume, também nos momentos de desespero, recorri a Deus e Jesus Cristo para livrar-me das dores.
Na consulta de retorno, narrei o episódio para a Dra. Adriana sobre a minha desistência de tentar encontrar respostas para as dores de cabeça e o motivo que pesou na tomada da decisão. Disse que não adiantava recuar e que se tivesse algo de errado eu enlouqueceria, já remetendo às lembranças do período em que fiquei internada. Eu não teria forças para sobreviver, e pior, colocaria em risco a vida do meu filho. Como recompensa e solidariedade, recebi o apoio da médica.
As dores intensas me acompanharam até o final do terceiro mês de gravidez, depois, ocorriam esporadicamente, até cessarem de vez depois do nascimento do Davi.

Os cabelos

Meus cabelos também sofreram com a manifestação da Síndrome. Antes, eles eram volumosos e encaracolados, depois, ficaram ralos e mais lisos. Na gravidez caíram mais um pouco. Atualmente, a queda já não é mais um problema.

Os olhos

Durante a gravidez, meus olhos ficaram mais secos, vermelhos e irritados, o que me obrigou a usar colírios com mais frequência. A visão embaçava a tal ponto que me impedia de trabalhar (ainda bem que estávamos no período de férias escolares).
Eles também doíam muito e, segundo o oftalmo, eram reflexos das dores de cabeça, uma vez que o resultado dos exames realizados na região não constatou anormalidade, a não ser as que já tenho (olho seco moderado mais ceratite).
As dores nos olhos perduraram também nos três primeiros meses de gravidez, depois melhoraram.

A pele

Na gravidez minha pele tornou-se mais seca.
Além do creme prescrito pela Dra.Adriana, para prevenir estrias na gravidez, usava e uso hidratantes para o corpo sem fragrância, porque depois da manifestação da doença, minha pele ficou muito sensível. Nos dias mais frios esta prática é repetida com mais frequência, pois a tendência da pele é ficar mais ressecada.

A boca

A sensação de secura na boca tornou-se mais frequente na gravidez e isso me obrigava a ingerir, no mínimo, dois litros e meio de água, além de sucos de frutas diariamente. Hoje, a minha boca não apresenta mais tanta secura.

As unhas

Depois da Stevens Johnson, evito tirar as cutículas e pintar as unhas das mãos, só dos pés. Mantenho-as aparadas. Durante a gestação elas se tornaram muito mais sensíveis e quebradiças..

O organismo

Durante a gravidez o meu organismo ficou muito mais sensível. Com o teor de acidez alto, evitava alimentos que acentuavam ainda mais o problema.
Com nove meses de gestação estava me sentindo muito fraca e a Dra. Adriana solicitou um hemograma. O exame do sangue revelou uma anemia profunda. A médica prescreveu um medicamento injetável para combater ou amenizar o problema. Foram seis injeções diárias. Depois do nascimento do Davi eu já não apresentava mais o problema.

O coração

Frequentemente a doutora Adriana ouvia as minhas queixas sobre um cansaço extremo e repentino, acompanhado de falta de ar, dores no peito e costas e naquelas horas, o coração disparava em ritmo acelerado.
A médica solicitou um ecocardiograma (ECG) Holter e o exame acusou uma arritmia isolada. Em outras palavras, nada de anormal e preocupante.
Com o tempo e realizando as atividades físicas como a hidroginástica e caminhada, por orientação médica, os sintomas diminuíram.

A região genital

Tornou-se um pouco mais seca com a gravidez; mas, após o nascimento do Davi, voltou ao normal.

A saúde do corpo – o psicológico

Sempre acreditei e acredito que a saúde do nosso corpo depende de uma série de fatores, dentre eles a boa alimentação aliada a exercícios físicos e a forma como você vive e encara o seu dia a dia, o que contribuem para o bem-estar.
Era inevitável não pensar no período negro da minha vida, ou seja, a cirurgia e duas semanas depois, a manifestação da Síndrome de Stevens Johnson.
Naquela época fiquei revoltada. A recuperação, muito lenta, contribuía para o meu estado depressivo, pois o meu rosto encheu-se de pelos; meus dentes tornaram-se tão sensíveis, com as raízes expostas, que não suportavam o vaivém da escova; minhas unhas caíram; meu corpo ficou todo manchado e para piorar, a depressão.
Não aceitava ter que interromper uma fase da minha vida e pior, ficar daquele jeito para sempre. Culpava tudo e todos.
A convivência comigo, confesso, era insuportável. Nada estava bom para mim. Minha família, especialmente a minha mãe, e o Maurício tiveram que ter doses extras de paciência. Se a estupidez fosse algo palpável e pudesse ser fotografada, eu seria o próprio retrato.
O tempo foi passando e tive que aprender a domar a fera dentro de mim.
O lado positivo de tudo isso é que hoje sou consciente do meu papel na sociedade, luto pelos meus direitos e corro atrás das informações.
Durante a gravidez, o medo de passar de novo por tudo aquilo era latente e eu procurava não pensar naquelas coisas. Para isso, ocupava o meu tempo em trabalhar, cuidar da minha alimentação, do meu corpo fazendo hidroginástica, do meu espírito e registar por escrito o meu dia a dia. Naquela época iniciei o esboço desse projeto: este livro.
Estava tão bem que só parei as atividades físicas sete dias antes do nascimento do Davi, e de trabalhar, no dia anterior.
Engordei onze quilos e meio na gravidez, e duas semanas após do nascimento do meu Davi, eliminei nove quilos.

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NÃO PERCA O CAPÍTULO DE AMANHÃ!!!!!

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