terça-feira, 6 de março de 2012

Livro, Parte 2, capítulo V, O nascimento do Davi

Olá,

Segue o capítulo V da parte 2 do livro Sou portadora da Síndrome de Stevens Johnson e quero ser mamãe. E agora?

Boa leitura!!

Beijos e queijos...
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V

O nascimento do Davi

  Lembro-me como hoje daquele dia importante, o nascimento do meu amado filho.
No dia anterior, na quarta-feira à noite, fui ao consultório da Dra. Adriana acompanhada do Maurício, que decidiu, na última hora, faltar às aulas na Universidade.
Minha consulta estava marcada para as vinte horas. Já estava com, aproximadamente, 40 semanas.
Assim que chegou, a ginecologista solicitou a minha presença.
Durante a consulta, verificou a pressão arterial e os centímetros de dilatação que eu tinha. Em seguida, foi a vez dos batimentos cardíacos do bebê, quando percebeu que ele não respondia satisfatoriamente.
A ginecologista e obstetra repetiu várias vezes o teste.
Já passavam das vinte e uma horas quando anunciou que o nascimento do meu filho estava próximo. Alertou-me de que não poderia ser parto normal porque eu estava no tempo certo de dar à luz, tinha apenas três centímetros de dilatação, e pior, o bebê não respondia aos estímulos. A médica suspeitava de sofrimento fetal, e o prazo já havia se extinguido.
Sugeriu que eu retornasse para casa e que a encontrasse na maternidade às vinte e duas horas.
Assim o fiz.
Ficamos no hospital até as duas horas da manhã, pois a Dra. Adriana queria ter a certeza do diagnóstico de que suspeitava.
A confirmação veio após a repetição dos exames, então afirmou categoricamente que o parto teria que ser uma cesárea.
A médica nos comunicou sobre o resultado do exame e disse que o Davi não poderia esperar mais, pois eu não tinha líquido suficiente para mantê-lo e aí ele poderia ter sequelas gravíssimas.
Apesar de relutar e optar por um parto normal, diante do diagnóstico não poderia colocar a vida do meu filho em risco.
Pedi a médica para aguardar mais um pouco, afinal, eu estava tão bem, precisava apenas descansar – na verdade, eu queria ganhar tempo, pois tinha esperança de que o quadro se revertesse e o meu lindo filho saísse naturalmente.
Convenci-a a esperar o dia amanhecer. Meio a contragosto, a ginecologista e obstetra foi categórica e exigiu a minha presença, pontualmente, às sete horas da manhã, na maternidade.
O dia amanheceu e acordei com uma azia estomacal insuportável.
Conforme o combinado, compareci ao hospital no horário pré-estabelecido e a doutora Adriana já estava à minha espera.
Por incrível que pareça, apesar do incômodo, sentia-me muito tranquila.
As horas pareciam voar.
Enquanto fazia as últimas anotações para me internar, a médica solicitou a ajuda das auxiliares para me preparar para o parto.
Já passavam das nove horas. De repente, percebi um aglomerado de pessoas, inclusive auxiliares curiosas.
Perguntei o motivo de tanto alvoroço e uma delas confidenciou-me que todos estavam apreensivos por causa do meu histórico de Stevens Johnson, mas que eu ficasse tranquila porque o hospital estava preparado para uma emergência com uma equipe médica à disposição e, inclusive, para uma possível transferência.
Por incrível que pareça, apesar daquela confissão, sentia-me ainda mais segura.
Às nove horas e vinte e cinco minutos, fui transferida para a sala de parto.
Chegando lá, duas auxiliares já me aguardavam, além da Dra. Adriana e de sua assistente, a Dra. Júlia, também obstetra, e Dra. Regina, pediatra. Cuidadosamente, elas me colocaram na mesa de cirurgia.
Até aquele momento eu evitava pensar na anestesia, afinal tinha ouvido tantos relatos sobre o assunto e ignorá-la era uma forma de não sentir medo. (É claro que a obstetra informou-me sobre a anestesia e o procedimento, com antecedência). Minutos depois, levei uma picada bem acima da cintura e, aos poucos, não sentia mais as minhas çpernas.
À medida que o líquido percorria em minha veia, às nove horas e trinta e cinco minutos, comecei a entrar em pânico, relembrando o tempo de quando estive internada por causa da Síndrome de Stevens Johnson.
Na época, devido ao meu estado debilitado – tinha emagrecido dez quilos, ficando com quarenta e sete, distribuídos em um metro e sessenta e oito de altura –, perdia-se minha veia facilmente e a auxiliar de enfermagem repetia o procedimento de recuperá-la, três ou quatro vezes em vários locais do mesmo braço. Isso acontecia diariamente. O membro havia dobrado de tamanho, o que rendeu à profissional uma bela bronca do meu médico herói e a proibição dela de entrar no quarto.
Para afugentar as lembranças, pedia à Dra. Adriana para ficar falando comigo sem parar. E funcionou.
Transcorridos cinco minutos após a aplicação, o líquido fez efeito. Estava com a sensação de que havia me transformado em um elefante enorme, da cintura para baixo.
Às nove horas e quarenta minutos do dia 31 de agosto de 2006, numa operação muito rápida, Davi nasceu.
A pediatra o trouxe para mim por alguns segundos, enquanto a obstetra corria contra o tempo para concluir a cirurgia.
Durante todo o processo, fui privilegiada por uma massagem japonesa na coluna vertebral, especialmente na região do pescoço, próxima à cirurgia, realizada pela Dra. Júlia.
Dei um beijo no meu filho, disse que o amava e o quanto ele era esperado. Em seguida, o Davi foi levado para a assepsia e, logo após, para o berçário.
Maurício, que presenciou tudo até aquele momento, acompanhou o nosso filho e permaneceu no berçário por duas horas, segundo ele, observando através da janela.
A exatas dez horas e vinte minutos, Dra. Adriana concluiu o serviço.
Aquele momento, presenciado por auxiliares curiosas que olhavam através da janela, foi registrado em vídeo e fotos.

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